O Brasil tem aproximadamente 13 milhões de desempregados. Os que procuram o ingresso ou uma recolocação no mercado de trabalho lidam entre outras coisas com a busca de ofertas de emprego e com os requisitos para ocupar as vagas oferecidas. Eles antes verificam se sua formação, habilidades e competências atendem a oferta e se os benefícios daquela vaga são compatíveis com suas necessidades pessoais e familiares. Assim, a seleção não é apenas uma via de mão única. O empregador escolhe o empregado, mas também o empregado escolhe o emprego. Essa realidade explica porque sempre há ofertas de empregos abertas há meses e há desempregados há meses.

O Reino tem um número bem maior de desocupados. Diferentemente do Brasil, tem vagas para todos trabalharem. A conjugação destas duas verdades nos deixa de frente com uma necessidade milenar apontada por Jesus Cristo: “A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros. ” (Mt 9.37 ACF)

A via de mão dupla também acontece aqui – nem todo o que vem fica, e nem todo o que é chamado permanece – como disse Jesus: “Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos. ” (Mt 22.14 ACF)

E os escolhidos para atuarem no Reino são chamados de ministros, isto é, servos. E o ministério (serviço, trabalho) que exercem segue o padrão estabelecido pelo caráter do Rei que permeia todo o Reino. E o Rei é santo, santo, santo! E o Rei decreta: “E vós me sereis um reino sacerdotal e o povo santo” (Ex 19.6 ACF). A santidade não deve ser uma exclusividade para os sacerdotes, mas uma característica de todo o povo. Assim sendo, jamais é possível a gente admitir a ideia de um ministério em que o desempenho, a formação, as competências e as habilidades possam justificar ou compensar a ausência de uma vida santa do ministro e de santidade no ministério.

No Antigo Testamento, os sacerdotes levavam consigo, junto a sua mitra, uma lâmina de ouro com a gravação Santidade ao Senhor. Vejo a gravação desta lâmina não apenas como uma lembrança para que o povo, ao ver o sacerdote, lembrasse que devia viver em santidade, mas também como um lembrete ao sacerdote de que ao tomar a sua mitra, ele tinha a responsabilidade de ter uma vida consagrada a Deus, uma vida de santidade, e um serviço em santidade para que fosse um exemplo inspirativo para o povo que é chamado a ser santo.

Quando Arão foi consagrado para o ministério sacerdotal “Moisés sacrificou o carneiro e pôs um pouco do sangue na ponta da orelha direita de Arão, no polegar da sua mão direita e no polegar do seu pé direito. ” (Lv 8.23 NVI) Apontando que o sacerdote devia ter seus ouvidos consagrados para ouvir Deus, suas mãos deviam estar consagradas para servir a Deus com ações que O glorificam, e seus pés consagrados para andarem pelo caminho do Senhor vivendo uma conduta santa diante de Deus e dos homens. Em seguida, Moisés enche as mãos de Arão e seus filhos da oferta consagrada ao Senhor dizendo que aquelas mãos deviam estar vazias de tudo e cheias das coisas santas. Para que sirvam com mãos limpas “Quero, pois, que os homens orem em todo o lugar, levantando mãos santas, sem ira nem contenda. ” 1Tm 2.8

Alguém pode reclamar dizendo que estamos falando do ministério da Antiga Aliança e que agora estamos na Nova Aliança. Mas, a Antiga Aliança é rica em sombras da realidade que estava por vir. Ela está cheia de símbolos revestidos do significado espiritual que somos chamados a viver. E como lemos em Romanos 15.4: “…tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito…”

Mas, passemos ao Novo Testamento, Pedro nos exortou: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pe 1.15). Este é um chamado à vida de santidade em todas as áreas e não apenas o aspecto ministerial público. E, como ministros, nos leva à compreensão de que tudo que fazemos (e diferente de Arão e os sacerdotes da Antiga Aliança, fomos limpos e consagrados ao Senhor pelo sangue de Jesus.) deve ser em santidade. Santidade em toda a maneira de viver: Família, trabalho, ministério, finanças, sexo, exercício de autoridade, trânsito, estudo e ensino, entretenimento, lazer, saúde, comunicação… e segue…. Em toda a vossa maneira de viver.

Se este é um chamado a todo discípulo de Jesus, então não se pode esperar menos dos pastores, que apesar de homens e falhos, somos chamados a uma vida de integridade e caráter que expressem uma vida de santidade ao Senhor. Somos chamados a ser “exemplo dos fiéis”. Os requisitos começam em ser escolhido pelo Senhor (Hb 5.4) e seguem por uma lista, muitas vezes, ignorada hoje na consagração de pastores que está em 1 Timóteo 3. As qualidades que se buscam em um pastor estão concentradas no caráter de toda a lista de qualificações requeridas, exige-se apenas uma aptidão: “apto para ensinar”, todos as demais falam do caráter e da integridade. Porque a Santidade ao Senhor deve preceder desempenho, formação, habilidades e competências.

A razão é bem simples. Santidade é desenvolvida no relacionamento de caminhada com Deus. Alto desempenho pode ser realizado à parte de um relacionamento com Deus, pode ser alcançado firmado em habilidades e competências. E o alto desempenho não produz santidade. Mas a santidade, a seu tempo, produzirá um alto desempenho. Alto desempenho tem vida curta. Santidade tem vida longa.

A todos nós: Santidade ao Senhor na vida e no ministério!

Pr. Hilquias Benício