Desde o princípio o povo de Deus vive entre a promessa e o desafio. Quando Deus chamou a Abraão, este foi desafiado a sair da sua casa e da sua parentela para uma terra que ainda lhe seria mostrada. O pai da fé abriu o caminho pelo qual trilhamos: a senda da fé que é impulsionada pela promessa e nos capacita a enfrentar os desafios.  

Foi assim que o povo de Deus na história enfrentou todo o tipo de desafios e calamidades. Enfrentou os rigores da fome e escassez de alimentos no tempo do patriarca Jacó. Foi escravizado pela potência mundial da época, o Egito.  Mas creu nas promessas! O povo de Deus vive na esperança profética. Foi assim que José, antes de morrer chamou seus filhos e lhes fez prometer que quando saíssem do Egito levariam com eles seus ossos. O povo de Deus olha sempre para além, para a promessa, para a profecia! É assim que os desafios são enfrentados, vencidos!

Vivemos um tempo de calamidade. A ameaça do coronavirus não se limita apenas a nossa saúde. De forma brutal se tornou uma ameaça aos empregos, às ocupações, ao trabalho. Quando somos obrigados a ficar confinados em nossas casas nossa fonte de renda é bloqueada. Como pagaremos nossas contas? Como alimentaremos nossas famílias?

Ninguém se lembra de ter visto uma crise tão grande em todos os seus anos de vida! 

O povo de Deus viveu grandes desafios e calamidades no passado. Noemi e sua família enfrentaram tão grande fome em Belém que tiveram de imigrar para outro país. No período dos juízes povos estrangeiros oprimiam de tal forma o povo de Deus lhes roubando o sustento e a colheita que Gideão teve que malhar o trigo (escondido) no lagar. Ameaças de exércitos inimigos foram muito presentes na história do povo de Deus. Lembro-me do cerco do exército sírio, nos tempos do profeta Eliseu. Tempos extremamente difíceis!

Talvez a maior das tragédias foi a tomada de Jerusalém por Nabucudonozor e o incêndio da cidade e do Templo. Mais uma vez Israel precisou viver da esperança, da promessa. E foi crendo assim que reviveram como povo, mantendo a sua fé num Deus que não muda.

Uma tragédia anunciada se abateu duramente sobre o povo judeu quando Hamã, ministro do Rei Assuero decretou a morte de todos os judeus. De repente todos estavam aguardando seu fim iminente. Mas como povo de Deus viviam entre a promessa e o desafio.

E foi assim que Deus já havia preparado a rainha Ester, para junto ao Rei Assuero, reverter o plano maligno. Mas Ester precisava agir. Diante do desafio de chegar na presença do Rei sem ser chamada correndo o risco de ser morta, a rainha Ester faz uma convocação especial:

   “Vai e reúne todos os judeus que estão em Susã, e jejuai por mim. Não comais nem bebais por três dias, nem de noite nem de dia; e eu e as minhas criadas também jejuaremos como vós. Depois irei à presença do rei, ainda que isso seja contra a lei. Se for preciso morrer, morrerei.” (Et 4.16).
A calamidade chegou para todos os judeus, mas como comunidade profética conseguiam ver adiante, além do terror. Eis que a rainha Ester convoca todos à oração e ao jejum. Deus responde ao clamor do seu povo e provê maravilhoso livramento.

O Senhor estará conosco, como esteve com o seu povo ao longo da história. Enfrentemos os desafios e as calamidades com a promessa que Jesus nos fez que conosco estaria até a consumação do século. Somos uma comunidade profética, que em meio ao caos pode organizadamente jejuar e orar, reconhecendo que somente o Deus do Céu pode nos socorrer.

Pr. Ezion Lima