O discipulado é o coração da igreja. A igreja não pode terceirizar o discipulado. A sua principal tarefa na terra é fazer discípulos! A principal ordem de Jesus para os seus discípulos foi: “façam discípulos”! O histórico livro de Atos dos apóstolos, bem como a experiência de numerosas igrejas e de um inumerável exército de missionários ao redor do mundo, confirma que a melhor estratégia para alcançar o mundo para Cristo é fazer discípulos!

O chamado primordial de cada cristão é fazer discípulos, pois o melhor método bíblico para o crescimento da igreja é, sem dúvida, fazer discípulos de todas as etnias da terra. Para todos os discípulos a missão dada por Jesus foi a mesma: façam discípulos!

Durante um longo tempo um considerável número de obreiros cristãos vem trabalhando, e muitos, com a graça de Deus, têm empreendido um gigantesco esforço para evangelizar as multidões de pessoas que vivem ao seu redor. Cada igreja, por meio de sua liderança, faz o que pode, o que sabe, o que aprendeu a executar nesta empreitada evangelística e missionária com o objetivo de obedecer à Grande Comissão dada por Jesus à sua Igreja (Mc 16.15-20; Mt 28.18-20).

É do conhecimento de todos nós que, via de regra, as igrejas já vêm realizando, cada uma ao seu modo, algum trabalho que envolve uma prática de discipulado. De maneira informal, um bom número de crentes já vem sendo discipulados em alguma classe na Escola Bíblica Dominical, nos cultos de ensino, no gabinete pastoral e, também, por meio dos conselhos e orientações de crentes mais maduros na fé. Outros, recebem alimento espiritual, regularmente, ouvindo as pregações do pastor titular da igreja e de outros pregadores, porém, a proposta deste texto é oferecer uma série de razões e sugestões práticas para a implantação e execução de um modelo eficaz e dinâmico do discipulado bíblico de forma intencional e proativa por parte da igreja, começando com a sua liderança.

Por que, então, o discipulado deve ser prioridade na Igreja de Jesus Cristo?

Em primeiro lugar, porque é dever da igreja glorificar a Deus no cumprimento da grande comissão dada por Jesus (Mt 28.18-20). A principal atividade da igreja diante dos desafios deste mundo é fazer discípulos de todas as etnias da terra para o Reino de Deus.

Em segundo lugar, há uma grande necessidade de chamar a atenção e proporcionar reflexões e motivações entre a liderança da igreja, a fim de que esta empreenda esforços para treinamento e formação de novos discipuladores no contexto da igreja local, pois é a partir de iniciativas da liderança que a realidade atual pode ser mudada. Toda mudança positiva na Igreja precisa do apoio e da ação direta da liderança.

Em terceiro lugar, porque se tem verificado a necessidade de, sem negligenciar o verdadeiro conteúdo, buscar novos métodos, estratégias e formas simples de praticar o discipulado. A igreja precisa superar os enormes desafios que estão diante dela, visto que a mesma está inserida nos mais diversos contextos sociais, geográficos, econômicos e culturais. A Igreja precisa continuar crescendo de forma saudável. O evangelho deve continuar crescendo. O Reino de Deus tem que continuar avançando.

Em quarto lugar, porque o discipulado é a forma bíblica e prática de um novo “decidido” ser acolhido e integrado à Igreja de Deus e poder receber o verdadeiro alimento espiritual para poder se firmar na fé, crescer e produzir frutos para a glória de Deus. Por isso, oferecemos sugestões e orientações práticas que possam ser vivenciadas pelo novo convertido em qualquer lugar.

Em quinto lugar, porque o discipulado é a maneira mais eficiente para o crescimento espiritual de cada cristão em particular, e é, também, o método mais convencional e natural do crescimento equilibrado da Igreja em qualquer contexto do planeta terra. O discipulado é uma pedagogia de Deus para alcançar os objetivos do seu Reino na terra, por meio de homens e mulheres treinados pelo evangelho de Jesus Cristo e capacitados pelo poder do Espírito Santo.

Em sexto lugar, porque se acredita que o ato de ler, pensar e pesquisar esse tema proporciona, quase sempre, a oportunidade de uma real mudança de vida, nas atitudes e no ministério daqueles que possuem um real e vívido interesse no assunto. Creio que por estas razões, nos últimos anos, assim como eu, muitos obreiros, em meio às muitas atividades pastorais, precisam sentir cada vez mais forte a necessidade de uma dedicação prioritária sobre o vasto conteúdo e métodos que envolvem o discipulado, buscando mais intensamente o seu conteúdo bíblico e teológico, como também outras formas de possibilitar uma maior conscientização do tema, assim como orientações para o treinamento do maior número possível de irmãos e irmãs que se sentem tocados por Deus para se dedicarem a este tão nobre serviço em favor da causa de Cristo na terra.

E, por último, porque o discipulado bíblico prioriza o investimento na vida espiritual das pessoas (obra da videira) sem, todavia, desprezar as estruturas eclesiásticas (a obra da treliça). Com o propósito de chamar a atenção de pastores e líderes, bem como de todos aqueles que querem ver o crescimento saudável da Igreja, Marshall e Payne no livro “A treliça e a videira”, apresentam a tese central da mentalidade de discipulado, tomando como base a relação entre a treliça (estrutura eclesiástica) e a videira (vida espiritual), conforme segue: “Argumentamos que as estruturas não fazem o ministério se desenvolver, assim como a treliça não dá crescimento à videira, e que a maioria das igrejas precisa fazer uma mudança consciente – do estabelecimento e manutenção de estruturas para o crescimento de pessoas que são discípulos que fazem discípulos de Cristo”. Quando estudamos o modelo do discipulado praticado por Jesus e por seus apóstolos, somos forçados a mudar de mentalidade em relação ao tipo de discipulado que, via de regra, praticamos na maioria das nossas igrejas. A mentalidade de discipulado, então, deve passar pela forma como concebemos a relação entre a treliça e a videira. Assim, é necessário questionar: Qual o atual estado da treliça e da videira na Igreja? Qual a relação entre a obra da treliça e a obra da videira na Igreja com a nossa prática de discipulado? É lamentável, porém verdadeiro, o fato de que pode ser comprovado na maioria das igrejas: a ênfase tem sido na obra da treliça em detrimento da videira.

Com este texto, não se pretende esgotar o assunto, nem tampouco se tem a petulância de pensar que se possui a última palavra sobre o que pode e deve ser realizado pelas igrejas no campo do discipulado bíblico e eficaz, porém, o desejo é que este material sirva de motivação, estímulo e direcionamento para a prática do discipulado eficaz, tanto a líderes como a membros de igrejas em geral.

Na maioria das igrejas evangélicas, o discipulado é uma prática de acompanhamento e treinamento bíblico que se resume aos novos na fé. Porém, o discipulado, como um processo de educação cristã, não deve ser resumido a este grupo de novos cristãos. Na verdade, todos os crentes devem ser discipulados, inclusive os obreiros em geral, bem como os pastores. No contexto geral, o discipulado é tão importante que, segundo Josué Campanhã, “20% do Novo Testamento fala em salvação e 80% fala de como viver a fé cristã”.

Pr. Rayfran Batista da Silva