Qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério. Mateus 19.9

Vamos analisar cuidadosamente o versículo acima que tem sido citado, pelos obreiros, tanto para aprovar a concessão de Jesus para o Divórcio como para desaprovar a existência de divórcio.

Para melhor compreensão do assunto iremos analisar três correntes existentes acerca do divórcio. A primeira corrente formada por aqueles proponentes da postura do divórcio permitido para o cônjuge inocente cujo parceiro cometeu adultério ou fornicação. A segunda corrente defende que a clausula de exceção de Cristo (Mateus 19.9) permitia a quebra de um noivado no caso de violação dos termos de noivado pela imoralidade do parceiro, antes da consumação do casamento ou por questão de parentesco (Consanguinidade). A terceira corrente não admite divórcio por nenhum motivo. No final desse estudo iremos fazer uma abordagem das diversas situações que podem acontecer entre dois cônjuges  crentes, o repúdio de um cônjuge crente por um não crente e  o repúdio de um não crente por um crente.

Começaremos com a visão mais comentada e a mais amplamente aceita na comunidade dos protestantes. Sustenta que as palavras de Cristo em Mateus 19.9, permitiam o divórcio no caso de adultério ou imoralidade sexual.

Segundo Craig Hill¹,no início da reforma, o clássico humanista Desiderius Erasmus sugeriu essa interpretação que é defendida pelo erudito reformado moderno Jonh Murray. Erasmus era um contemporâneo de Lutero que se desligou dos reformadores devido seus pensamentos heréticos.

Jesus deixou claro que embora o divórcio fosse tolerado e permitido pela  lei judaica para evitar abusos , esse não era o padrão de Deus ao instituir o primeiro casamento. Definitivamente, Deus não instituiu o divórcio. Ele é consequência da dureza do coração humano, e não fruto do amoroso coração de Deus, diz Hernandes Dias².

Uma apresentação dessa visão pode ser vista em um trecho de um livro escrito por Robert J. Plekker em Divórcio à luz da Bíblia: Parece que Jesus está dizendo em Mateus 19:9 e 5.32 que, devido ao efeito radical e horrível do pecado, Deus poderá permitir o divórcio(Não ordenar) uma exceção ao seu próprio decreto proibindo o divórcio”. O motivo porque digo poderá é porque devemos lembrar do contexto envolvendo a afirmação do senhor.  Os fariseus tinham perguntado : “É lícito repudiar sua mulher por qualquer motivo?”(Mateus 19.3).A resposta de Cristo foi uma afirmação da estabilidade do casamento, isto é , a sua indissolubilidade . O  propósito de cristo a nos dá a clausula de exceção não era nos fornecer motivos para o divórcio. A clausula excetiva serve apenas como uma qualificação dos ensinos de Jesus, bem demonstrado e enfáticos, de que o casamento depois do divórcio constitui adultério. Nenhum de nós sabe realmente porque Jesus menciona porneia como clausula excetiva. Podemos apenas imaginar a deslealdade física(infidelidade conjugal)simboliza aquilo  que atine o âmago do relacionamento conjugal .Porém não podemos concluir que a fornicação rompe um casamento. O Ponto que eu quero salientar é que, havendo a fornicação, há motivo para se sentir violado, naturalmente; mas ir além disso e afirmar que é um motivo biblicamente  aprovado para o divórcio, é fazer o texto dizer mais do que realmente o Senhor disse. Mesmo em face   de termos sido profundamente magoados, nós nunca podemos esquecer do tema constante  e predominante das escrituras : a reconciliação”³.

Alguns argumentos são apresentados contra a postura divórcio permitido por causa do adultério: 1) Até que ponto podemos dizer que a parte traída é inocente ou parcialmente inocente? Analisando melhor é muito subjetivo prescrever o que acontece em um processo de separação. 2) A cláusula de exceção se limita ao Evangelho de Mateus. Os livros de Marcos, Lucas e Paulo não mencionam nenhuma exceção. Porque parece haver contradição nos ensinos de Jesus nos evangelhos com relação esse assunto da exceção?  3) Os seguidores do rabino Shamai creditavam que o divórcio somente poderia se concedido em casos de infidelidade. Os seguidores do rabino Hillel acreditava que a Lei de Moisés permitia o divórcio praticamente por qualquer motivo . Jesus chocou ao rejeitar ambos os posicionamento rabínicos (Mt 19.10) como explicar isso? 4)Como explicar a frase ”o que Deus uniu não separe o homem” contida em Mateus 19.6?

No próximo artigo iremos comentar sobre a segunda corrente ou posicionamento acerca do divórcio.

Notas Bibliográficas 

¹Hill,Craig.Casamento contrato ou aliança.Bless gráfica e comunicações ltda.1998.pág.18.

²Lopes,Hernandes Dias-Casamento, divórcio e novo casamento. São Paulo,Hagnos.2005.Pág 115.

³J.PlekKer, Robert. Divórcio à luz da Bíblia. Edições vida nova. 2000: P.52.

 

Pastor Antônio Sérgio costa Lima

Pastor Auxiliar da IEADTC

Coordenador do Ministério da Família IEADTC.