Vamos iniciar uma série de ensaios sobre divórcio definindo de forma clara os diversos posicionamentos sobre o assunto. Pedimos que não façam nenhum juízo antecipado antes de terminamos esse estudo. Hoje muitos pastores e igrejas vivem um dilema muito grande com relação ao entendimento e aplicação nos seus ministérios de tão controvertido tema.

A primeira parte analisa duas das quatro passagens do novo testamento em que Jesus falou diretamente do assunto, de modo geral, sem a inclusão das exceções.  As escolhas de versículos do novo testamento é realizada com base na revelação de Deus,de forma sistemática, do antigo para o novo testamento e se completa em Jesus Cristo dentro de uma unidade gradativa e empírica.

No livro de Marcos, o evangelho mais antigo, não existe nenhuma dúvida sobre a regra geral acerca do divórcio e segundo casamento, por ser completa e terminal no versículo que diz:

Ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela. E se ela repudiar seu marido e casar com outro comete adultério” (Mc 10.11-12).

Esse texto mostra um detalhe importante: Um homem e uma mulher não podem se casar novamente. De acordo com o versículo 11, “Ele lhes disse: Quem repudiar sua mulher e casar com outra comete adultério contra aquela”, se um homem se casa de novo comete adultério contra sua primeira esposa. Existem alguns versículos em Romanos importantes para nossa análise que dizem o seguinte: “Porque a mulher casada está ligada pela lei a seu marido enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido. De sorte que, enquanto viver o marido, será chamada de adúltera, se for de outro homem; mas se ele morrer; ela está livre da lei , e assim não será adúltera se for de outro marido”( Rm 7.2-3). D. Martyn Lloyd-Jones dá a seguinte  explicação: O apóstolo usa o tempo verbal perfeito(grego), o que nos dá o direito de traduzir assim esse texto:” A mulher que tem marido está   permanentemente ligada pela lei a seu marido”. Ela continua ligada, está permanentemente ligada; essa é ênfase do tempo verbal. O que Paulo quer dizer é que, como já tinha dito no versículo primeiro, só a morte pode romper a relação. [1]

No versículo 12, do mesmo capítulo, temos outra proibição: “E se ela repudiar seu marido e casar com outro comete adultério”, A mulher repudiada ainda está presa pela lei a seu primeiro marido, portanto não pode casar de novo, pois se casar novamente comete adultério, estando vivo o seu primeiro marido como diz o seguinte versículo de coríntios: “A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor (1 Co 7.39). Está claro pelo texto acima sem exceção que tanto marido quanto a mulher que repudia o seu cônjuge comete adultério.

Analisemos um versículo de Lucas que mostra, em negrito, um caso novo: “Quem repudiar sua mulher e se casar com outra comete adultério; e aquele que casa com a mulher repudiada pelo marido também  comete adultério” (Lc 16.18).

Veja que aquela pessoa que não tem nada a ver com situação se casar com a pessoa repudiada pelo marido, comete adultério. É claro que o texto está dizendo que não importa a situação em que aquela pessoa foi repudiada pelo seu marido.

Resumindo os versículos analisados dentro do contexto de Lucas e marcos, podemos dizer que Deus:

1)      Não permite que um homem repudie a sua mulher e case com outra (Mc 10.11-12).

2)      Não permite que uma mulher que foi repudiada case com outro (Lc 16.18).

3)      Não libera uma pessoa repudiada casar a segunda vez.

Mas existem no novo testamento algumas passagens que apesar de Jesus não ter falado concordam com esse pensamento, como:

“Todavia, aos casados mando não eu, mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido. Se porém, se separar, que fique  sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido; Não deixe  a  mulher”(1 Co 7.10-11).

“Porque a mulher casada está ligada pela lei a seu marido enquanto ele viver; mas, se ele morrer, ela está livre da lei do marido. De sorte que, enquanto viver o marido , será chamada de adúltera, se for de outro homem; mas se ele morrer; ela está livre da lei, e assim não será adúltera se for de outro marido”( Rm 7.2-3).

[1]LL0YD-JONES, Martyn. Romanos: Exposição sobre os capítulos 7:1-8:4 – A lei: Sua funções e seus limites.São Paulo:PES,2001,p.38.

(Continua no próximo número) onde iremos analisar a exceção a regra geral. 

Antônio Sérgio Costa Lima – Pr. Auxiliar da IEADTC e Coordenador do Ministério da Família.