Os gregos filosofaram e lançaram fundamentos para a construção de um governo mais participativo através da democracia – o poder do povo.

Em nossos dias, a ideia de um governo não democrático é vista de modo muito negativo. Países democráticos são vendidos como a melhor forma de governo e mais justa. Embora não precisemos de muito esforço para perceber que há um fosso intransponível entre o ideal e a prática democrática.

Quando caminhamos por uma jornada espiritual com Cristo, percebemos que entramos em um Reino. Tomamos parte de um Reino e não de uma República. Ao receber a Cristo, como Senhor e Salvador, você se coloca sob uma monarquia e não é um governo compartilhado com participação democrática.

Em geral, temos grande dificuldade de transpor nossa experiência pessoal antropocêntrica e comunitária democrática para uma nova vivência cristocêntrica e de povo pertencente a um Reino. Essa dificuldade é tão grande que exige uma mudança radical. A não ocorrência desta mudança radical prejudica totalmente tomar parte do Reino de Deus.

Só é possível transpor o domínio das minhas vontades, desejos e opiniões para me submeter à vontade do Rei através do novo nascimento. Nascer de novo pressupõe a morte da velha natureza que quer ter voz ativa de comando. Enquanto a nova criação ou criatura reconhece e se submete à voz poderosa de Jesus Cristo, que tem toda autoridade nos céus e na terra.

Deixamos o trono e o cetro do poder de decisão e nos prostramos diante da majestade e domínio do Senhor Jesus, Rei dos reis. A liberdade que temos no Reino é a de obedecer.

Quando estávamos no império das trevas, não tínhamos liberdade, éramos escravos do próprio eu, da própria carne, de nossos desejos e vontades. Estávamos debaixo do domínio do pecado. Pecar é desobedecer. Pecado é o crime contra o Reino, e consequentemente contra o Rei. Quando pecamos, cometemos a loucura, de estabelecer nossa própria lei e vontade e negamos a lei e a vontade de Deus. Em outras palavras, agimos como se pudéssemos destituir Deus de sua posição real e nos estabelecermos reis.

A compreensão de Reino ajuda o crente a compreender o senhorio de Cristo em cada aspecto de sua vida. Também ajuda o crente a ler a Bíblia não como um livro de autoajuda, mas de ajuda do alto, que não está sugerindo ou negociando, mas com a autoridade que lhe é própria, o Senhor está nos ordenando. Ajuda o cristão a entender que ele não pode escolher algumas coisas e rejeitar outras; não é uma democracia é um Reino, cujo Rei está assentado no trono que é sobre todo trono.

A Grande Comissão é o maior programa de divulgação para imigração lançado em toda a história da humanidade. Cada crente é um agente divulgador de imigração para o Reino. O crente não tem escolha, pois ele já está debaixo do senhorio de Cristo, o Rei o nomeou para divulgar que as fronteiras do Reino estão abertas para quem quiser morrer e ter uma nova vida.

Em Mt 28.18-20, lemos:

E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.

Veja que antes de ordenar a Grande Comissão, Jesus Cristo afirma sua autoridade plena “é-me dado todo o poder no céu e na terra. ” O cristão não tem poder para negociar e decidir a ir ou não. Todo o poder é de Jesus. Se é discípulo, cumpre e obedece à comissão. Se não anuncia e não faz novos discípulos povoando o Reino, é porque não é seguidor de Jesus, algo em si ainda o faz acreditar que há democracia no Reino, e de que ele pode escolher ou não obedecer e ainda permanecer no Reino. Mas isso é um grande engano. Se estamos falando de Reino, não há espaço para uma grande omissão fruto da desobediência ou da vontade pessoal, há apenas um ambiente de crucificação e negação do eu para obedecer e cumprir a Grande Comissão junto com o Rei.

Precisamos praticar a lembrança constante e diária que embora participemos de uma democracia no Brasil, também somos participantes de um Reino. Em nosso país, devemos participar, questionar, propor e podemos divergir nas ideias. Já no Reino, nós podemos receber de Deus e obedecer. E nossa participação democrática no Brasil deve ser norteada pelos valores do Reino de Deus.

RECEBA A ORDEM MISSIONÁRIA DE DEUS E CUMPRA!!!

Pastor Hilquias Benício