“Olhai por vós mesmos…” Atos 20.24

Objetivando apoiar aos pastores e líderes, hoje traremos esclarecimentos sobre a Síndrome de Burnout: O que é? Quais as causas, os sintomas e como prevenir? Veremos que ela está mais presente do que imaginávamos.

Certa vez ouvi uma missionária dizendo que um cristão não pode ficar com depressão ou com problemas psicológicos. Certamente, ela associou depressão com pecado ou à ação demoníaca. É verdade que satanás pode se aproveitar de nossa fragilidade, em momentos de esgotamentos fisiológico e emocional. Mas ela esqueceu, que o cristão também é um ser biopsicossocial, logo, podemos adoecer tanto física como emocionalmente. Para que você entenda a dimensão e alcance de tais problemas, apresentamos esta estatística estarrecedora sobre as lideranças eclesiásticas:

  • 45% tem ou tiveram depressão;
  • 85% estão afadigados (sensação de cansaço ininterrupta);
  • 70% baixa autoestima;
  • 50% o ministério ocasionou a piora do casamento;
  • 84% estão 24h de plantão a serviço da igreja, sem pausa;
  • 53% andam preocupados com dinheiro e saúde;
  • 45% não conseguem lidar com os problemas da atualidade;
  • 54% chegaram ao seu próprio limite;
  • 1.500 pastores abandonam o ministério por mês…

Segundo a OMS, 322 milhões sofrem de depressão no mundo; no Brasil, 5,8% da população, o que equivale a 11,5 milhões sofrem ou já sofreram, estamos atrás apenas dos EUA com 5,9%. No ministério pastoral 47% dos líderes sofrem ou já sofreram da Síndrome de Burnout. Alguns atribuem este fenômeno ao fato de que os pastores perderam a essência do oficio espiritual do ministério e passaram a ser coachings, palestrantes motivacionais e gestores institucionais, lutando para alcançar resultados financeiros e crescimento quantitativo em suas denominações sendo exigidos como profissionais da fé.  E esses fatores provocam desgastes físicos e psicológicos.

Algumas pessoas confundem estresse e Síndrome de Burnout, no entanto, há uma diferença, apesar de existirem elementos comuns. O estresse é uma sensação de compressão, de angústia, mas é algo transitório, por exemplo: um atleta olímpico, por ocasião da competição, o nível de estresse aumenta, de forma saudável, quando acaba a olimpíada, o nível volta para o normal, já no Burnout, o estresse é mantido ao longo das semanas ou meses, por um período continuado, o que faz que ele se sinta progressivamente esgotado.

A Síndrome de Burnout (do inglês to burn out, algo como queimar por completo), também chamada de síndrome do esgotamento profissional, foi assim denominada pelo psicanalista alemão Freudenberger, após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 1970. Ele identificou nele mesmo, percebeu que a qualidade nos seus atendimentos foi comprometida junto aos seus pacientes.

Quanto às causas, elas são ambientais e subjetivas (quando o indivíduo não tem os recursos necessários para administrar todas as demandas). De acordo com Herbert J. Freudenberger a SB está “(…) intimamente ligada à vida profissional”. O portador de Burnout mede a autoestima pela capacidade de realização e sucesso. O que tem início, com satisfação e prazer, termina quando esse desempenho não é reconhecido. Nesse estágio, a necessidade de se afirmar e o desejo de realização se transformam em obstinação e compulsão; começa assim, a cronificação do processo de estresse.

Sintomaticamente, a SB geralmente se reconhece pela ausência de alguns fatores motivacionais: energia, alegria, entusiasmo, satisfação, interesse, vontade, sonhos para a vida, ideias, autoconfiança e humor. Os sintomas são variados: fortes dores de cabeça, tonturas, tremores, muita falta de ar, oscilações de humor, distúrbios do sono, dificuldade de concentração e problemas digestivos.

No que diz respeito ao diagnóstico, é feito através dos sentimentos identificados nos pacientes, como: sentimento de exaustão; sentimento de frustração; sentimento de incapacidade; carregar o estresse para casa; sentir-se culpado por não fazer o bastante e irritabilidade. Tais pessoas passam a ter mudanças evidentes de comportamento (dificuldade de aceitar certas brincadeiras com bom senso e bom humor).

Há um provérbio popular que também serve para o Burnout, “é melhor prevenir do que remediar”. A prevenção é a melhor forma de combater. Segue abaixo algumas dicas para prevenir, porém se não conseguir utilizar essas dicas, não hesite, busque ajuda profissional.

1ª Dica: Reconheça o problema: compartilhe o que está sentindo, fale das suas preocupações com o seu líder ou colega.

2ª Dica: Identificar a fonte do problema: algum problema que não se resolve há algum tempo no trabalho. Tente observar também se o trabalho está demandando muito de você ou se é você que está inapto para realizar o seu trabalho, pela falta de recursos cognitivos ou se esta função não é adequada para você.

3ª Dica: Procure equilíbrio: pode parecer impossível de eliminar o que está te incomodando, mas você pode procurar mais recursos mentais para ajudá-lo a enfrentar isso. Não deixe de tirar férias, construa um clima social positivo de suporte, procurando aliar alto desempenho e qualidade de vida.

4ª Dica: Não diga sim para tudo: comprometa-se apenas com o que pode ser feito, não diga que algo pode ser feito em uma semana, se você tem outros projetos inacabados e sabe que terá de ir além para poder terminar.

5ª Dica: Leve o relaxamento a sério: procure o que te relaxa, seja escutar música, ler um livro, meditar, caminhar, conversar com amigos, visitar a família, atividade física, pense no que você faz ou gostaria de fazer para relaxar, e reserve um tempo para isso.

6ª Dica: Durma o suficiente: menos de 6h de sono por noite é considerado um fator de riscos para o Burnout. A falta de qualidade do seu sono pode ter um efeito negativo em sua performance e produtividade, pode levar à fadiga e diminui a sua motivação. É necessário reabastecer as reservas de recursos e energias, e dormir é uma das principais maneiras de fazer isso

7ª Dica: Organize-se: esvazie sua cabeça, montando uma lista de atividades/tarefas diárias e priorize, fazendo isso você tira da sua cabeça aquele pensamento constante que você tem que fazer algo e ainda otimiza o seu tempo para dar prioridades para as tarefas, Trabalho pensado e não pesado, trabalhar muito não significa que você está conseguindo mais, é melhor trabalhar o suficiente, mas otimizando o seu tempo com organização das tarefas do que trabalhar horas extras na desorganização, coloque as tarefas mais empolgantes e fáceis por último para que você fique animado e esperançoso, não adie tarefas difíceis, pois o seu eu de amanhã é o mesmo do seu eu hoje, você apenas vai ficar pensando na tarefa difícil por mais tempo.

Concluímos perguntando: Como você está? Agindo equilibradamente ou num ativismo frenético? Cuidado!!!  É importante respeitarmos os nossos limites, pois ninguém está imune quanto ao esgotamento. É salutar entendermos que, participar de momentos de lazer é tão importante quanto de momentos de louvor.

Pr. Paulo Roberto L. Melo

Referências bibliográficas:

A SÍNDROME DE BURNOUT: ASPECTOS RELEVANTES PARA O MUNDO DO TRABALHO. Disponível em:  www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/psicologia/a-sindrome-de-burnout-aspectos-relevantes-para-o-mundo-do-trabalho/27982 Acesso em: 13 out. 2018.

Bustin, Y. Síndrome de Burnout. 2018. Disponível em <https://yuribusin.com.br/sindrome-de-burnout>. Acesso em: 13 out 2018.

Gil-Monte, P. R., Peiró, J. M., & Valcárcel, P. (1998). A model of burnout process development: An alternative from appraisal models of stress. Comportamento Organizacional e Gestão, 4(1), 165-179.

PREVENÇÃO E TRATAMENTO DO BURNOUT. Portal educação; disponível em: https://tecnoblog.net/247956/referencia-site-abnt-artigos/ Acesso em 08/10/2018

FÓRUM SÍNDROME DE BURNOUT. Mevam oficial; disponível em:

https://www.youtube.com/watch?v=Nf-rzOBp2es&t=3173s Acesso em 04/12/2018