Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento (1Co 3.6-7).

O apóstolo dos gentios fez uso da metáfora agrícola da semeadura para ilustrar o processo do crescimento do Reino de Deus. E nesse mistério, Paulo alerta que a glória não é do semeador e nem do regador, mas de Deus, que faz a semente frutificar.

Os diferentes tipos de solos

A metáfora usada por Paulo nos reporta à Parábola do Semeador (Mt 13.1-9). Naquela época era comum lançar as sementes antes de arar a terra. O semeador podia jogar as sementes com as mãos ou deixá-las escoarem em um dos orifícios dos sacos, que normalmente eram carregados por animais. Na parábola, Cristo esclareceu que a semente é a Palavra de Deus e os diferentes solos são os que recebem a mensagem. Vejamos:

Ao pé do caminho. O Messias disse que durante o plantio uma semente caiu no caminho e as aves dos céus a comeram. Jesus explicou tratar-se daqueles que escutam, mas não entendem, e, antes que a Palavra faça efeito, vem o maligno e arrebata o princípio de fé (Mt 13.4 e 19). Assim, ainda hoje, algumas pessoas permitem que as aves (conceitos humanos) destruam a semente.

Entre os pedregais. Os geógrafos relatam que grande parte do solo de Israel consistia em uma pequena camada de terra em cima de pedras. Mesmo assim, a semente foi plantada e nasceu, todavia não pôde desenvolver-se, veio o sol e a queimou. Jesus esclarece que essas são as pessoas que escutam, mas quando vem a perseguição saem dos caminhos retos e desviam-se da verdade (Mt 13.5 e 20-21).

Entre os espinhos. Neste caso, aparentemente a Palavra foi recebida, porém os espinhos sufocaram o grão. No terreno de Israel, os cardos espinheiros não eram visíveis, pois ao invés de serem arrancados, tinham sidos cortados ou queimados. O Mestre proclama que esse terreno representa as pessoas que ouvem e aprendem a palavra, mas a sedução deste mundo os faz corromper (Mt 13.7 e 22).

Em boa terra. Por fim, a semente caiu em um solo de terra boa, deu fruto e multiplicou-se. O Nazareno elucida que esses terrenos são aqueles que ouvem, compreendem, perseveram e dão fruto (Mt 13.8 e 23).

O crescimento vem de Deus

A Lei da Semeadura e da Colheita são absolutos divinos, um princípio irrevogável. O apóstolo Paulo enfatizou esta verdade: “tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7). No aspecto positivo, semear a boa semente pode ser um processo doloroso e requer paciência e perseverança, mas também implica em colheita (Sl 126.5-6). Desse modo, lançar a semente é imprescindível. O resultado depende das operações da lei da colheita segundo a semeadura.

A lei da colheita, todavia, está subordinada à qualidade da semente, da terra onde foi semeada e dos cuidados durante o cultivo. Porém, o mero esforço humano não trará resultado se estiver desprovido da graça de Deus. No sentido espiritual, sempre é Deus quem faz progredir e multiplicar a colheita. Assim, toda a semeadura precisa ser realizada no poder do Espírito que fará frutificar em nós as virtudes espirituais (Gl 5.22-23).

Considerações Finais

Evangelizar é plantar a boa semente, ou seja, anunciar o genuíno Evangelho. E esta semente deve ser lançada em todas as áreas de nossa sociedade, ou seja, na educação, nas mídias, na área social, e inclusive na política. A colheita por vezes acontece em longo prazo, mas, certamente o Senhor da Seara há de prover frutos em abundância em prol do Seu Reino. Portanto, semeie a boa semente!

 

Referências bibliográficas

ARRINGTON, F. (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal. N T. Rio Janeiro: CPAD, 2003.

CEC, Conselho de Educação e Cultura. Apostila da Reforma. Rio Janeiro: CPAD, 2016.

KEENER, Graig. Comentário Histórico-Cultural da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 2017.

RIBAS, D. (Trad.). Comentário do NT. Aplicação Pessoal. Rio: CPAD, 2009, vol. 1.

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Douglas Roberto de Almeida Baptista – Graduado em teologia, pedagogia, filosofia e educação religiosa, pós-graduado em docência do ensino superior, especialista em Bíblia, mestre em ciências das religiões, mestre e doutor em teologia. Líder da Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal e do Conselho de Educação e Cultura da CGADB. Relator da Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil e Comentarista das Lições Bíblicas para adultos da CPAD.