“Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna”. (Romanos 6.22)

Logo após a cura extraordinária do coxo que, cotidianamente, esmolava à porta do Templo chamada Formosa, a qual chamou a atenção de um grande número de pessoas, observou-se certo movimento atraído pela repercussão do fato, já que se tratara de pessoa conhecida do povo da cidade. Então, o apóstolo Pedro, inicia um pronunciamento que a todos impacta. Em suas palavras afirma: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim os tempos de refrigério na presença do Senhor” (Atos 3.19). De início, observamos que o apóstolo S. Pedro pontua a questão do arrependimento como forma primordial para o início de um novo viver, o qual proporcionará os elementos necessários para o bom encaminhamento da conversão, em que se efetivará paulatinamente. A seguir, afirma que vencidas estas duas etapas iniciais, duas promessas serão realizadas na vida do recém- convertido, primeiro: seus pecados serão apagados e depois, virão tempos de alívio, graça e paz através desse novo viver em Cristo e para Cristo.

Assim, conforme a referência citada no cabeçalho desse artigo, “sendo libertos do pecado”, e consequentemente, “transformados em servos”, o que isto produzirá para efeito humano? A consolidação de um novo viver apresentará inúmeros desafios aos santos servos de Deus. Chamo “santos” porque foram separados por Deus para adorá-lo, segui-lo e também viverem igualmente seu modo exemplar de viver. Conforme o texto nos afirma fomos feitos servos de Deus, condição primaz à uma vida de obediência e renúncia, para que então venhamos a frutificar nossos “frutos” em atos, atitudes e decisões, buscando a consolidação da santificação em nossa vida, pois está é a vontade do Pai. Senão, vejamos: “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição”- em suas diversas formas. (I Tessalonicenses 4.3). A vontade do Pai é que nos mantenhamos puros e santos, e isto não é nada fácil. O Senhor Jesus afirmou: “Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me” (Marcos 8.34). Na essência dessa renúncia, vivencia-se, então, o processo de santificação que, em nossa consciência já ordenou os níveis de aceitação e busca pela mesma.

O apóstolo S. Paulo, dentre os apóstolos, foi quem mais ensinou e escreveu sobre santificação. Em todas as suas epístolas, ele revela sua apreensão sobre o nível de santificação de seus conservos, ouvintes e companheiros. Ainda reforçando sua consideração acrescenta: “Porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e, sim, em santificação” (I Tessalonicenses 4.7).

Para “ser santo” implicará no ser separado por Deus e para Deus. Contudo, por termos o livre arbítrio, cabe a cada um de nós obedecermos e cumprirmos as etapas que nos ajudarão a consolidar nosso proceder santificado. Em primeiro lugar reconhecermos que somos templo e morada do Espírito Santo (I Coríntios 6.19 e 20). Em segundo, estarmos atentos aos contextos que nos cercam. Assim, Paulo afirma que poderia realizar todas as coisas, mas nem todas convinham para uma vida santificada, e que não se deixaria dominar por elas (I Coríntios 6.12). Em terceiro lugar priorizarmos o Reino de Deus e sua justiça (Mateus 6.33). Em quarto, entendermos que não somos mais de nós mesmos: “… mas vós sois Dele em Cristo Jesus” (I Coríntios 1.30). Sendo assim, temos um dono, um Senhor. Então, obediência total a Ele. Em quinto lugar precisamos vivenciar e demonstrar nossa vida plena de santificação, sendo autênticos e não hipócritas.

Agora, vejamos o texto: “… pois que, assim como apresentastes os vossos membros para a maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para a santificação” (Romanos 6.19). Este simples processo demandará tempo, esforço, vigilância e, sobretudo, humildade. Precisaremos estar de contínuo na presença de Deus, sabendo que o nosso adversário intentará de todas as formas nos conduzir para a iniquidade. Entretanto, conscientizados sobre a importância desse amadurecimento, fortalecimento e consolidação de nossa santificação, estaremos perceptivos às ações contrárias ao nosso santo viver. Cuidemos, pois, de nossa saúde espiritual, pois ela é necessária, premente e condicional à nossa jornada final e exitosa. “Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados, e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie inteiramente; antes seja sarado. Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12.12 a 14). Este  é o desejo de nosso Pai!

Pr. Pedro Tadeu de Souza Maia Secretário de Missões COMEAD-CGPB