Vivemos em tempos de constantes transformações e mudanças que se passam em grande velocidade. O mundo da informação, internet e o sucesso da mídia tem direcionado o mundo para novos tempos e consequentemente para novos desafios e com eles problemas já existentes aprofundam-se ainda mais: opressão política, econômica e cultural, que se manifesta em fome, injustiça, miséria, diferenciação entre pobres e ricos, marginalização, alto índice de prostituição, violência a menores. Em um contexto onde existem sistemas político-econômicos com total desinteresse com a justiça e o bem comum, assistimos a triste realidade dos contrastes sociais, a morte, a marginalização que mantêm milhares de pessoas em condições de extrema pobreza. Diversos relatórios da ONU nos apresentam que mais de dois terços da humanidade estão excluídos de uma vida digna por não atingir a satisfação de suas necessidades mínimas, sejam elas, alimentação suficiente, saúde, educação e emprego.

No evangelho de Mateus, Jesus torna conhecido sua teologia do juízo final. Em Mateus 25: 41-43 nos diz: “Então ele dirá aos que estiverem à sua esquerda: ‘Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos. Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram para beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram’”. Os bodes, identificados dessa maneira no texto, ocupam a esquerda, longe de serem bem-vindos ao reino de Deus, são banidos da presença do seu Rei. São denominados malditos em vez de benditos, pois não possui nenhuma característica como sendo filhos de Deus. Fecharam os olhos para o drama da miséria humana, e não ouviram os clamores dos seus semelhantes. Vazios eles mesmos de amorosa bondade, não podem receber a amorosa bondade do seu Senhor. São, portanto, punidos severamente por deixarem de observar as muitas oportunidades para demonstrar a bondade que lhes foram dadas.

Dada a importância da igreja no propósito de Deus, nós jovens somos comissionados a expressar a realidade do reino de Deus e sermos usados como agentes desse reino existente, sermos instrumentos do reino na vida dos nossos irmãos, da sociedade e do mundo. Portanto, como podemos ser apoio na luta contra situações tão adversas? Qual a palavra de Deus para a nossa geração?

Ainda no evangelho de Mateus 25: 34-36: “Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’”. Identificados como os justos, são colocados à direita. São chamados para possuírem a herança preparada desde a fundação do mundo não por repetidas expressões verbais da sua fé, mas por numerosos atos de serviço em auto sacrifício, prestado discretamente aos seus semelhantes. Pela própria espontaneidade do seu amor, por sua bondade não forçada e por sua perseverança na prática do bem, provaram-se verdadeiros filhos de Deus. São dignos, portanto, de que o Rei se lhe dirija tratando-os como “bendito de meu Pai”, recebendo dessa maneira, o convite para entrarem em sua legítima herança, preparada para eles desde a fundação do universo.

Sobre isso, Keith Stewart (2015, p.51) acrescenta: “De acordo com Jesus, prover as necessidades humanas mais básicas como água, comida, roupas e cuidado pelos vulneráveis é o critério pelo qual nossas vidas serão julgadas. Suas ovelhas cuidarão dessas necessidades, ao que os bodes não”. Vale ressaltar que, aqui nesta passagem, Cristo não afirma que somos salvos por nossas obras, porém, Ele busca evidências de que a graça agarrou nosso coração e transformou nossa vida. Se realmente permitimos ou não que Ele fizesse qualquer coisa dentro de nós; se apresentamos qualquer tipo de evidência de que Sua presença em nós fundamentalmente mudou nossa orientação, em direção aos falidos e necessitados deste mundo.

A evidência de uma vida transformada por Deus é a libertação do nosso egoísmo. Nosso coração, uma vez transformados por Deus, é uma nova força para se distanciar da orientação egoísta e se mover em direção ao melhor interesse do próximo. Qual a nossa disposição a respeito das mais humildes coisas essenciais à vida? Podemos contestar e dizer: “Mas Senhor, profetizei em teu nome, expulsei demônios, veja todas as coisas maravilhosas que fiz. As pessoas amavam meus sermões, construí grandes templos…”. Jesus é claro no texto acima: ter sucesso em tudo mais e falhar no teste das coisas essenciais é falhar por completo.

Em Efésios 2: 8-10 nos fala sobre a salvação pela graça. Conhecemos bem estes versos, e muitas vezes ignoramos o verso 10. Não enxergamos que ele completa o que vem antes e afirma que o mesmo que nos preparou para uma vida de salvação é o mesmo que nos preparou para uma vida de boas obras e serviço. Quando somos salvos pela graça, somos impulsionados a servir. Como discípulos do Mestre, nossa missão é servir. Como juventude, nossa missão é servir. Como filhos de Deus, nossa missão é servir. Como corpo de Cristo, a evidência natural disso é fazer boas obras. Ouvirmos um “Vinde bendito de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”, não por causa das nossas boas obras, mas porque fomos salvos, e dessa maneira, somos levados a prática do serviço.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

HOFFMANN, Arzemiro. A cidade na missão de Deus: o desafio que a cidade representa para a Bíblia e à Missão de Deus. Curitiba: Encontro, 2007.

STEWART, Keith. Estávamos errados: Como um pastor evangélico foi transformado radicalmente quando começou a seguir Jesus nas margens da sociedade. São Paulo: Garimpo Editorial, 2015.

 Por Ingrid Sabrina Amaral Dutra de Lima