Queridos irmãos, Iniciamos mais  um ano. E fazendo uma retrospectiva, vemos que enfrentamos muitos embates, as lutas foram renhidas. Em algumas situações, reconhecíamos que em nós não havia forças, habilidades e preparação para continuarmos avançando. Nestes momentos, olhávamos para Aquele que nos alistou e que sempre recebemos graça e misericórdia, usufruindo de seu cuidado e assim conhecendo-o mais e mais. Nós não fomos deixados neste mundo apenas porque tínhamos um trabalho a fazer, mas, um Deus a conhecer. E mais uma vez, declaramos como o profeta Samuel: “Até aqui nos ajudou o Senhor”. 1 Sm 7.12b.

Poderíamos enumerar abundantes vitórias, conquistas e realizações em todas as frentes e projetos do Demid, todavia, quero utilizar este espaço para algo que temos sido despertados pelo Senhor: a importância do discipulado. Em algumas igrejas parece que a porta dos fundos é mais ampla do que a da frente. Analisando essa situação, reconhecemos que estamos sendo eficientes na proclamação do evangelho, mas falhando no discipulado. Examinando Mt 28.19,20, vemos que a ordem de Cristo é para “fazermos discípulos” de todas as nações e não para “fazermos convertidos” de todas as nações.

Discipular não é controlar, governar, dominar, manipular emocionalmente a vida do discípulo. A razão principal do discipulado é ajudar o discípulo a alcançar o sonho de Deus para a vida dele. À luz do novo testamento, DISCIPULAR É SERVIR. Nós devemos fazer discípulos para Cristo e não para nós mesmos; não devemos criar dependência mórbida e sim, dependência em Deus.

Discipulado envolve aconselhamento, amizade profunda, mentoriar espirtual e ministerialmente, ser um pai espiritual, porém é mais do tudo isso, discipulado é transferência de vida; o discipulador serve de canal para transferir a vida de Deus para o discípulo. Discípulo é o aluno que aprende as palavras, os atos e o estilo de vida de seu mestre com o intuito de ensinar outros. 

Jesus curou os doentes, libertou os oprimidos, pregou o evangelho às multidões e salvou os pecadores. Mas em tudo isso, Ele concentrou a atenção em fazer discípulos – pessoas que aprendessem dEle e seguissem os seus passos. Seus discípulos estiveram com Ele, dia e noite, por três anos. Estudando o Ensino e a Vida de Cristo, identificamos dois componentes essenciais: a morte de si mesmo e a multiplicação. Jesus disse: “Na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (Jo. 12.24), falou ainda:  “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome diariamente a sua cruz e siga-me, pois quem quiser salvar sua vida, a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa, este a salvará” (Lc. 9.23.24) Em Gálatas 2.20, Paulo escreveu: “… fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Quanto à multiplicação, o Senhor alertou: “Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo aquele que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda” (Jo 15.2).

Hoje, infelizmente, a igreja brasileira é mais conhecida por seus escândalos do que pelas suas virtudes; as congregações estão cheias de pessoas vazias de Deus e vazias de pessoas cheias de Deus. Precisamos voltar urgentemente para o modelo de Jesus. Voltemos para o discipulado bíblico e sejamos instrumentos para que os frutos (vidas) permaneçam.

Pela causa do Mestre!

 Pr. Paulo Roberto Leitão Melo.