O livro de Atos dos apóstolos nos fornece um fiel relato sobre o nascimento e a expansão da igreja cristã que começou em Jerusaléme se espalhou por todo o mundo. Os princípios imutáveis que apresentam para a existência da Igreja aqui na terra, realmente são fascinantes. Desejo ressaltar, nesse texto, a primeira frase de Atos 1.8: “Mas recebereis poder”! É essencial, portanto, que os crentes reconheçam a importância do poder do Espírito Santo no plano divino que envolve a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo.

Nos instantes em que antecederam a ascensão do Senhor Jesus, Ele disse que esperassem a promessa do Pai. Lucas assim registra: “Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai, permanecei, pois na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lc 24.49; At 1.4).

Na verdade, a promessa da vinda do Espírito Santo (cf Jl 2.28-32; Jo 7.39; 14. 16-26), foi reforçada por Jesus enquanto era elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu… “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e serei minhas testemunhas tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”(At 1.8,9).

Mas recebereis poder”. Com essas palavras, o Senhor Jesus, despertou as expectativas de seus discípulos, e lhes ensinou a esperar a vinda de um poder sobrenatural às suas naturezas. Na verdade, seria um poder desconhecido deles, mas que lhes viria da parte de Deus e que seria nada menos do que o próprio Deus entrando neles com o propósito de reproduzir neles a sua própria semelhança.

A descida do poder do Espírito Santo sobre os discípulos e os irmãos que estavam reunidos em Jerusalém (At 1.15), é descrita assim: “Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do espírito Santo, e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (At 2.1-4).

A relação da Igreja com o poder do Espirito Santo, é a marca e a linha divisória que distingue e separa o cristianismo de todo o ocultismo e de todos os tipos de seita oriental – antigos e modernos. Sem esse poder não pode haver uma Igreja de sucesso e com esse poder a Igreja jamais fracassará. Por isso, todo o crente deve depender da verdade revelada por Deus e do poder do Espírito Santo que nele habita para cumprir o propósito de Deus.

 A bíblia diz que Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo (At 10.38). Essa mesma unção é a que recebemos quando ficamos cheios do Espírito Santo e isso visa um propósito especial: ser testemunha do testemunho de Cristo, o Senhor.

 A palavra testemunho, no grego, fala de algo que serve como evidência ou prova. Quando João Batista estava preso e ouviu falar dos feitos de Cristo, enviou dois de seus discípulos para perguntar ao Senhor se Ele era mesmo o Messias que havia de vir ou teriam que esperar outro? A resposta de Jesus enviada a João Batista nos revela que o poder que a igreja D’Ele recebeu, deveria produzir as mesmas evidências que constatamos no ministério de Jesus (Mt 11.1-5).

A Igreja que se move no poder do Espírito Santo pode testemunhar milagres extraordinários. Toda a sua disposição prove da qualidade da sua vida de oração (At 4.24-31). É a Igreja que sabe que tem que olhar além das circunstâncias imediatas e contemplar o poder de Deus.

A Igreja não sobrevive sem o poder do Espírito Santo. Este poder é suficiente; não é necessária nenhuma ajuda adicional, nenhuma fonte auxiliar de energia espiritual, pois o Espírito Santo de Deus, o Dom prometido pelo Pai nos foi entregue para nos dar poder e graça para satisfazer nossas necessidades morais e espirituais e assim cumprirmos o nosso papel como testemunhas de Jesus (At 1.8).

“Mas recebereis poder”! O poder que recebemos é o mesmo poder que ungiu a Jesus de Nazaré para evangelizar os pobres, curar os quebrantados de coração, apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos e a pôr em liberdade os oprimidos (Lc 4. 18,19).

Uma igreja que não flui nesse poder e dele não desfruta, tem o nome de viva, mas na verdade está morta. É esse poder que potencializa a proclamação do evangelho para a salvação de todo aquele que nele crê (Rm 1.16). É esse poder que nos batiza com o Espirito Santo e nos faz viver em novidade de vida como testemunhas do Senhor Jesus. Esse poder nos transforma em verdadeiros adoradores do pai. Dá vida aos nossos cultos, dá sentido à comunhão genuína e opera um real crescimento em graça e em número da igreja do Senhor. 

“Mas recebereis poder”!A promessa diz respeito a nós! Glória a Deus! (At 2.39). Esse poder refrigera a nossa alma, nos faz resistir às tentações, nos dá graça para andar em obediência e nos faz compreender o nosso papel de servos no Reino de Deus. Esse poder impulsiona a obra missionária, imprime em nós o caráter do Cristo, influencia nosso viver e nossas relações interpessoais na igreja e na sociedade.

O apóstolo Pedro resume essa verdade assim: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e à piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua graça e virtude, pelas quais, ele nos tem dado preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção que, pela concupiscência, há no mundo” (2Pe 1. 3,4).

Eu creio que tirando do cristianismo o poder do Espírito Santo, nada sobra, senão outra religião. E o cristianismo verdadeiro não é uma religião, é uma vida. Essa vida é Cristo! “Porque N’Ele (com e através desse poder) vivemos, e nos movemos, e existimos” … (At 17.28).

Em Cristo Jesus e porque Ele vive!

Pr. Antonio José Azevedo Pereira.