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O altar de Acaz e o altar de Deus Destaque

Categoria Blog
Sex, 20 de Janeiro de 2012 19:26 Por Templo Central

Acaz com 20 anos de idade sucedeu Jotão que fora um rei exemplar. Se observarmos que Jotão reinou durante 16 anos, concluímos que Acaz teve bons exemplos durante sua infância e juventude, porém, vemos que ao assumir a direção do reino, Acaz praticou coisas terríveis afastando-se de Deus e, na qualidade de líder influenciou toda nação a rebelar-se contra Deus.

Ouve-se muito hoje em dia a seguinte pergunta: “Quais pessoas e líderes podem ser vistos como referencial e modelo quanto à espiritualidade, caráter e comportamento ético”? Essa é uma pergunta difícil de responder.

Permitam-me agora enumerar os principais erros cometidos por Acaz e fazermos um paralelo com os dias hodiernos da igreja. Deste modo, cremos que poderemos evitar cometer os mesmos erros.

Encontramos em 2 Rs 16.2-3, que Acaz fez o que era mal perante o seu Deus. Apostatou da lei do Senhor a ponto de passar o próprio filho pelo fogo. Acaz se corrompeu de tal modo que fez aliança com o inimigo. Utilizando-se para tal dos tesouros da casa de Deus como moeda de troca.

Na simbologia bíblica o ouro tipifica a santidade, e a prata tipifica a justiça. Se aceitarmos alianças ilícitas e proibidas a troco de qualquer benefício, a Casa de Deus será saqueada de valores espirituais essenciais à sobrevivência da igreja e, com certeza estaremos à beira de um grande abismo espiritual e moral, cujo resultado será a apostasia (1Rs 16.7-8).

“Um abismo chama outro abismo” (Sl 42.7). Os erros sucessivos de Acaz levaram ao ápice da ignorância e da insensibilidade espiritual. O líder de Judá, povo escolhido de Deus lança mão da planta com o modelo de um altar pagão e o envia ao sacerdote Urias, guardião das verdades reveladas por Deus, que lastimavelmente, não se posiciona a favor da verdade e edifica em Jerusalém o altar conforme o modelo do altar de Damasco.

Os altares sempre fizeram parte da história da humanidade. Seu significado literal é “lugar de matança, lugar de sacrifício, lugar alto...”. Mas podemos interpretar o altar como o lugar onde ofertas e sacrifícios são apresentados a Deus. O altar é o lugar de encontro entre criador e criatura, entre Deus e o adorador. Tudo começou com a morte substitutiva em Gn 3.21 e terminou com a aliança de sangue na cruz e altar do calvário (Jo 19.34-35; 1Jo 5.7-8). Seu sangue é o sangue da cruz, o altar de sacrifício pelo pecado. Todo pecado e pecador, de Adão a Cristo, foram julgados por Deus em Cristo no calvário.

Surge aqui a necessidade de avaliarmos alguns modelos de altares que estão surgindo em nossa “Judá”, a Igreja. As semelhanças entre os dias de Acaz e os nossos dias são tão grandes que tentarei enumerá-las para a nossa advertência:

·      O altar de Acaz é falso porque é ecumênico. Nesse altar é celebrada uma parceria que exalta a idolatria, mistura a liturgia e descaracteriza o verdadeiro culto a Deus (2Rs 16.1-16).

·      O altar de Acaz representa a mudança de paradigma. O modelo estabelecido por Deus é adulterado pela liderança com a conivência do sacerdócio (2Rs 16.10). 

·      No altar de Acaz o sacerdote ouve e obedece a voz da instituição em vez de ouvir a voz de Deus e obedecer as suas ordenanças quanto ao altar e aos que nele ministram. Foi nesse altar que o sacerdote Urias se vendeu a um projeto iníquo (2Rs 16.11).

·      O altar de Acaz sacrifica razões espirituais por conveniências políticas (2Rs 16. 7-10). Aproveito o ensejo para sugerir aos líderes cristãos que tenham se comprometido com as alianças requeridas pela política secular que atentem para que o altar do Senhor não seja profanado (Hb 13.10; 2 Co 11.3).

·      No altar de Acaz o rei faz uma apropriação indébita do altar de cobre (altar da purificação). Ele diz: “esse altar será para mim” (2Rs 16.15). Nesse altar particular o fogo não purifica a oferta não é recebida e o sacrifício não é aceito por Deus. O altar de Deus não é propriedade de homem algum. É de Deus!

·      A presença do altar de Acaz altera a posição do altar de Deus. Porém, a posição do altar do Senhor não pode ser alterada pelo interesse pessoal nem pela soberba do líder (2Rs 16.14) – Ver  o altar do Senhor ser levado para junto do altar de Acaz da banda do Norte, e vê-lo posto nos clubes e casas de show é querer promover a paganização do povo de Deus.

·      O altar de Damasco recebe o sacrifício daqueles que usam o poder institucional para usurpar do sacerdócio e suas prerrogativas espirituais (2Rs 16.15).

·      O altar de Acaz é um altar sem o fogo da purificação, portanto, é um altar que não lida com o pecado nem confronta o pecador com a verdade de Deus (Lv 6.12-13).

·      O altar de Damasco não sugere mudanças drásticas na liturgia do culto (2Rs 16.15). É o tipo de altar que pode ser usado como palco, palanque e até picadeiro...

·      Ao admitir o altar de Damasco dentro da igreja, o altar do Senhor será descaracterizado da sua vocação e finalidade (2Rs 16.17). É um altar cujas bases estão comprometidas. A “pia e o mar” que representam o meio pelo qual nossas justiças são purificadas foram retirados de sobre os “bois” que as sustentavam (símbolo da força espiritual) e postas sobre um pavimento de pedra (representação da frieza e insensibilidade). Também a “cobertura do sábado” (símbolo da aliança com Deus) é retirada indicando que líderes sem aliança com Deus estão depedrando e violando a altar do Senhor por sua desobediência (2Rs 16.17-18).

 

As verdades espirituais observdas nesse episódio bíblico são relevantes e dignas de nossa observação. A história da igreja revela a existência de altares e sacrifícios falsos através das presunções de líderes e sacerdotes. Contudo, há somente uma cruz-altar, um único sacrifício pelos pecados, um único grande sumo-sacerdote. Tudo o mais é falso, substituto, pagão e profano.

O relacionamento de Israel com Deus sempre dependeu da atitude da nação com respeito ao altar de Deus. Reis rebeldes e perversos sempre buscaram desfazer-se desse altar e colocar numerosos substitutos, enquanto adoravam deuses falsos (1Rs 12. 25-33; 13.1-5).

Reis piedosos sempre restauraram o altar do Senhor e os sacrifícios designados em tempos da restauração e de despertamento da nação. Assim como Esdras restaurou o altar do Senhor durante a reconstrução de Judá após o cativeiro na Babilônia (Ed 3.1-3), na restauração da igreja, na dispensação do Novo Testamento, o altar da cruz em nossos corações deve ser sempre o primeiro e o principal em toda a pregação, ensino e ministração ao Senhor. Que Deus nos ajude a conservar puro e imaculado o altar de Deus em nossos templos e corações.

 Qualquer outro altar simplesmente é um altar ao deus desconhecido (At 17.23).

 

Em Cristo Jesus e porque Ele vive!

 

Pr. Antonio José Azevedo

 

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